Ayrton Senna transcendeu as pistas de Fórmula 1 e se tornou um ícone, mas seu legado vai além das vitórias e do talento inigualável. A era em que o piloto brasileiro brilhou foi um período de intensa inovação tecnológica, e muitas das soluções desenvolvidas para dar a ele e seus rivais uma vantagem de milésimos de segundo hoje equipam os carros que usamos todos os dias.
As tecnologias que parecem comuns em veículos de passeio modernos nasceram ou foram popularizadas nos circuitos que Senna dominou. Da troca de marchas no volante à eletrônica que garante a segurança, a herança da F1 daquela época está presente em garagens de todo o mundo. Conheça cinco dessas inovações que saíram das pistas para as ruas.
Câmbio borboleta: velocidade na ponta dos dedos
Introduzido em 1989 pela Ferrari, o câmbio semiautomático com borboletas atrás do volante, ou "paddle shifts", foi uma revolução desenvolvida pelo engenheiro John Barnard. A tecnologia estreou com vitória no Grande Prêmio do Brasil daquele ano e permitiu que os pilotos trocassem de marcha sem tirar as mãos da direção, tornando as mudanças mais rápidas e precisas. Anos depois, em 1997, a Ferrari 355 F1 foi um dos primeiros carros de rua a oferecer o sistema, que hoje é um recurso comum em veículos automáticos, de esportivos a SUVs familiares.
Suspensão ativa: o carro que "lê" a pista
No início da década de 90, a suspensão ativa se tornou a tecnologia a ser batida na Fórmula 1, com equipes como a Williams liderando seu desenvolvimento. O sistema usava sensores e atuadores hidráulicos para ajustar a suspensão em tempo real, mantendo o carro nivelado e com máxima aderência em qualquer situação. Senna enfrentou carros equipados com essa inovação, que hoje inspira os sistemas de suspensão adaptativa de modelos de luxo e performance, capazes de variar entre conforto e esportividade ao toque de um botão.
Controle de tração: segurança em qualquer condição
O controle de tração (TCS) foi um dos protagonistas eletrônicos da era Senna. O sistema evita que as rodas patinem durante a aceleração, garantindo que a potência do motor seja transferida para o asfalto de forma eficiente e segura. Após ser banido e liberado algumas vezes na F1, o controle de tração se tornou um item de segurança padrão na maioria dos veículos modernos, atuando para evitar acidentes em pisos escorregadios.
Telemetria: a origem do carro conectado
A análise de dados foi crucial para o sucesso de equipes como a McLaren de Senna. A telemetria enviava informações do carro para os engenheiros nos boxes em tempo real, permitindo ajustes finos e a detecção de problemas. Essa troca de dados é a base dos sistemas de diagnóstico modernos. A luz de injeção eletrônica no painel do seu carro, por exemplo, é um resultado direto dessa evolução, alertando sobre falhas que podem ser lidas por um scanner na oficina.
Fibra de carbono: leveza e segurança extremas
A McLaren foi pioneira ao construir o primeiro chassi de Fórmula 1 inteiramente em fibra de carbono, o MP4/1, em 1981. O material, extremamente leve e resistente, aumentou drasticamente a segurança dos pilotos em caso de acidentes e melhorou a performance do carro. O que antes era uma tecnologia aeroespacial caríssima, hoje é usada na construção de supercarros e em componentes de veículos de rua para reduzir peso e aumentar a rigidez estrutural.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.