RISCO DE MORTE

Pés no painel do carro: teste mostra os efeitos desse ato perigoso

O clube automotivo Touring Club Suisse mostrou os efeitos de uma batida se a pessoa estiver com os pés no painel

Bonecos de teste sendo prensados pelo airbag durante teste
Joelho do passageiro chega a bater no rosto Imagem: TCS Schweiz-Suisse-Svizzero

No Brasil e até em outros países não é muito raro ver pessoas no banco do passageiro dianteiro com os pés no painel do carro. Pode parecer uma atitude inofensiva para muitos, mas além de irregular, a esticadinha nas pernas sobre o painel causa sérios problemas. Um teste com dummies – bonecos de teste que simulam a trajetória do corpo humano em colisões – mostrou que a eficácia dos cintos de segurança e dos airbags só é garantida quando o passageiro está sentado na posição adequada.

No vídeo, foi feito um crash-test que simula uma colisão a 64km/h, velocidade padrão para esses testes.

Os crash tests medem a capacidade de um automóvel minimizar as consequências de um acidente, seja por meio de cintos de segurança, barras de proteção laterais, airbags, entre outros. De acordo com o clube automotivo Touring Club Suisse, da Suíca, os resultados são terríveis: como as pernas do passageiro foram levantadas, o airbag não teve efeito protetor durante os testes. Pelo contrário, o airbag fez com que as pernas fossem levantadas contra a parte superior do corpo e a cabeça do manequim. Em caso de acidente, isso poderia resultar em ferimentos graves na coluna e na cabeça, levando à morte.

Ortopedista explica os riscos de colocar os pés no painel do carro

“Acontece que, nessas posições, o trauma direto nas articulações é muito mais frequente e mais grave. Com o joelho apoiado no painel do veículo, o trauma provocado por um eventual acidente ocorre diretamente na articulação, causando fraturas ou lesões irreparáveis na cartilagem articular”, aponta o médico ortopedista José Antônio Veiga Sanhudo em entrevista à Agência Brasil.

Apoiar os pés no painel do carro coloca o quadril em uma posição de flexão e, ao sofrer o impacto da batida, o osso da coxa pode acabar desencaixando da articulação, o que representa uma lesão muito grave. “Para piorar a situação, o nervo ciático transita exatamente nesse local e, frequentemente, é lesado seriamente, comprometendo os movimentos da perna, muitas vezes de forma definitiva”, diz o especialista.

Os passageiros do banco de trás também devem viajar em posição adequada, segundo o ortopedista.  “A indicação é a mesma, porque na posição deitada o próprio cinto de segurança não consegue proteger o passageiro. Então, a chance de ter uma lesão muito mais grave ou ser jogado para frente do veículo é muito maior. Esses dispositivos são muito efetivos para prevenir lesão, mas a gente precisa fazer a nossa parte”, alerta.

O Touring Club Suisse também deu dicas sobre a postura do motorista e dos passageiros no veículo:

  • A altura do assento deve ser escolhida de modo que você tenha uma boa visão geral
  • A distância entre o volante e o motorista deve estar entre 25cm e 30cm 
  • Ao usar os pedais, os joelhos do motorista não devem ser tensionados
  • O passageiro deve sempre manter as pernas no espaço reservado para os pés
  • O apoio de cabeça deve ser o mais alto possível, mas não mais alto que o topo da cabeça

Por que o teste foi realizado a 64km/h?

Embora ocorram acidentes em velocidades muito superiores a essa, os estudos comprovam que a esmagadora maioria dos desastres automobilísticos fatais ocorrem a até 64km/h. Isso porque, ao perceber a chance de colisão, o instinto do condutor é tentar imobilizar o veículo o mais depressa possível, o que reduz a velocidade para valores próximos dos 64km/h.

Além disso, a maioria dos testes de impacto seguem o padrão Offset 40. O que é esse padrão? É a tipologia de uma colisão em que apenas 40% da parte dianteira colide com outro objeto. Como se fosse uma batida de quina. Isso porque na maioria dos acidentes, pelo menos um dos motoristas tenta desviar a trajetória, o que faz com que raramente ocorra um impacto 100% frontal.