Enquanto boa parte dos SUVs de entrada são equipados com motores turbinados, a Honda lançou o WR-V com o já conhecido propulsor 1.5 aspirado de 126 cv de potência e até 15,8 kgfm de torque, sempre combinado à caixa automática do tipo CVT. Em entrevista ao portal argentino autoblog, um engenheiro da marca explicou as razões pelas quais a Honda adota este motor e não utiliza motores com correia banhada a óleo.
Durante o Salão do Automóvel de São Paulo, o portal argentino conversou com Renan Barba dos Santos, engenheiro responsável pela parte comercial da Honda na América do Sul e conseguiu aspas importantes sobre as motorizações na região.
Segundo o engenheiro, a adoção desse motor faz parte da estratégia global da Honda, visto que o propulsor é usado por quase todos os carros de entrada da marca ao redor do mundo. A estrutura básica do motor e as transmissões são as mesmas, mas com calibrações específicas para cada mercado.
Além disso, esse propulsor atinge as normas de emissões atuais e futuras, tanto no Brasil quanto em outros mercados e poderá estar enquadrado nas normas pelos próximos dez anos. Segundo dos Santos, essa é uma das grandes vantagens, junto com a confiabilidade do conjunto.
E os turbos?
Segundo o engenheiro, motores 1.0 e 1.2 turbo, disponíveis em outros SUVs de entrada, não são tão confiáveis quanto o motor atual.
“Na nossa percepção, esses motores não foram pensados em confiabilidade e eficiência. São motores que devem se atualizar em curto prazo para cumprir normas de emissões futuras. Em nosso caso, o motor não precisará de mudanças pelos próximos 10 anos. Isso foi algo que aprendemos em 2021, quando a Honda precisou deixar de fabricar Fit, Civic, City e HR-V.”
Vale lembrar que a Honda até possui uma variação turbo desse propulsor, que é utilizado somente nas versões topo de linha do HR-V.
A polêmica correia banhada a óleo
Fabricantes como a Chevrolet, por exemplo, apostaram em correias banhadas a óleo para fazer seus motores funcionarem. Essa tecnologia apresenta suas vantagens, mas diversos clientes questionam a durabilidade dessa correia. O engenheiro da Honda defende o uso de corrente nos motores.
“São motores que, no conceito inicial, parecem interessantes. Oferecem um bom torque e potência e o cliente sente emoção ao dirigir. Mas, depois de um tempo, cerca de 50 mil ou 60 mil km, são motores que começam a mostrar seus defeitos. Os problemas aparecem mais rapidamente por conta da maior pressão do turbo para dar essa emoção ao dirigir. No caso da correia banhada a óleo, o lubrificante começa a degradar o material da correia dentada. Esses elementos caem no óleo e tampam as passagens de lubrificação. Por esse motivo, a Honda não utiliza essa tecnologia."
A Honda prefere utilizar um sistema de corrente de comando, que segundo o engenheiro, não tem uma vida útil pré-definida, e não há necessidade de lubrificação ou ajustes de tensão. Segundo o engenheiro, basta realizar as manutenções conforme o recomendado pela fabricante.
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