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Estado de Minas EFEITO CORONAVÍRUS

Emplacamentos de abril caem 76% e voltam ao patamar de 14 anos atrás

Segundo relatório da Fenabrave, vendas de automóveis e comerciais leves em abril somaram 51.362 unidades, contra 221.292 registrados no mesmo mês de 2019. No acumulado do ano a queda é de 27%


postado em 04/05/2020 17:34 / atualizado em 04/05/2020 17:51

(foto: Wikimedia/Reprodução)
(foto: Wikimedia/Reprodução)

Como já era esperado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a queda nas vendas do setor referente a março era apenas a ponta do iceberg. Com quase toda a indústria automotiva e grande parte dos concessionários fechados em função das implicações do coronavírus, os números de abril foram ainda piores.

De acordo com um relatório da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os emplacamentos de automóveis e comerciais leves do mês de abril foram de 51.362 unidades, 76,8% menores que as 221.292 registradas no mesmo mês do ano passado. Em relação ao último mês, que foi afetado pela pandemia apenas em sua reta final, a retração é de 67% (em março foram emplacadas 155.807 unidades). Já o acumulado de 2020, até abril, é de 583.905 unidades vendidas no mercado nacional, contra 801.905 apuradas no mesmo período de 2019, uma queda de 27,1%.

“Lamentavelmente, para automóveis e comerciais leves, voltamos a patamares de vendas registrados há 14 anos, e, para o setor em geral, retornamos aos volumes de 1992, ou seja, voltamos aos resultados de 28 anos atrás”, avaliou Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave. No caso de caminhões, de acordo com a entidade, a retração no acumulado de 2020 foi de apenas dois anos, mas, se forem considerados apenas os dados de abril, chegamos a números de 26 anos. Para motos houve retrocesso de 24 anos em relação aos dados de abril e de 17 anos no acumulado do quadrimestre.

Para dar ideia da queda gradativa das vendas ao longo do ano, vamos usar como exemplo o Chevrolet Onix, o automóvel mais vendido do Brasil nos últimos cinco anos. No acumulado do ano, o modelo vendeu 50.740 unidade, sendo 17.463 em janeiro, 17.652 em fevereiro e 12.007 em março. Já em abril, foram vendidas apenas 3.619 unidades. A Fiat Strada, o comercial leve mais vendido do país, também teve desempenho semelhante. No acumulado do ano somou 17.038 emplacamentos, sendo 4.324 em janeiro, 5.354 em fevereiro e 4.798 em março. Mas, em abril foram apenas 1.628 emplacamentos.

VENDAS DIRETAS Outro efeito do coronavírus e suas implicações no setor automotivo foi o aumento, ainda que sutil, do percentual das vendas diretas, geralmente concedidas a frotistas e empresas. Em abril, a porcentagem entre as vendas de varejo e vendas diretas – considerando automóveis e comerciais leves - ficou equilibrada, respectivamente 49,43% e 50,57%. Há um ano, essa proporção era de 53,17% e 46,83%, que é considerada uma tendência mais próxima do real.

SEM PREVISÕES Segundo o presidente da Fenabrave, devido à falta de previsibilidade do retorno da economia à normalidade, ainda não é possível fazer projeções sobre os resultados do setor para 2020. Ele ainda disse que as concessionárias encontram entraves importantes para a retomada, ainda que gradativa, dos volumes de antes da crise iniciada em março deste ano.


O pricipal entrave citado é que, atualmente, são poucos os Estados em que as concessionárias foram autorizadas, pelo Governo Estadual e Municipal, a voltar a operar em sua totalidade, com vendas de veículos, peças e serviços de manutenção. “Em Estados onde a quarentena foi flexibilizada, como Goiás, por exemplo, a queda do setor foi menor, tanto na comparação entre abril de 2020 e de 2019 (-47,8%), como no acumulado do ano (-6,7%)”, garantiu Alarico.

A Fenabrave afirma que está trabalhando para que as 7.300 concessionárias de veículos existentes no Brasil voltem de imediato às atividades normais. “Destaco que, como vem sendo incansavelmente enfatizado em todos os ofícios enviados pela Federação e nas reuniões remotas entre a Fenabrave e os governos – sejam Federal, Estadual ou Municipal –, estamos prontos para voltar, com total responsabilidade e seguindo, rigorosamente, todos os protocolos de saúde e cuidados sanitários preconizados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), Ministério da Saúde e demais autoridades sanitárias”, disse o presidente da entidade que representa os distribuidores de veículos.

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