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Estado de Minas

Fiat começa a divulgar informações sobre o Argo, seu novo hatch premium que chega em maio

Fiat vai lançar em maio o Argo, modelo totalmente novo, que terá a difícil missão de ajudar a marca italiana a recuperar o primeiro lugar em vendas no mercado brasileiro


postado em 30/04/2017 15:53

A Fiat iniciou a campanha de apresentação do Argo divulgando o nome do modelo nos protótipos em testes pelas ruas do país(foto: Fiat/Divulgação)
A Fiat iniciou a campanha de apresentação do Argo divulgando o nome do modelo nos protótipos em testes pelas ruas do país (foto: Fiat/Divulgação)

Em tempos de crise, quem não se mexe não aparece. E no mercado de automóveis essa premissa é verdadeira e pode determinar o sucesso de uns ou o fracasso de outros. A Fiat, por exemplo, sinalizou que vai sair do marasmo para tentar recuperar a primeira posição de vendas no Brasil, perdida para a General Motors. A estratégia usada será o lançamento de uma família totalmente nova, inaugurada pelo hatch compacto premium, quase médio, denominado Argo, com vendas previstas para junho. É a marca italiana atacando mais uma vez em um segmento que tem oscilado muito e no qual ela já teve histórias boas e ruins para contar.

O Argo, que até então vinha sendo chamado de X6H, chegará para ocupar o lugar do Palio (nas versões topo de linha) e do Punto, que deixou de ser produzido em janeiro. Certamente, vai abocanhar parte da parcela de mercado deixada pelo Bravo, que também saiu de produção. A Fiat ainda não divulgou informações oficiais sobre o hatch, mas sabe-se que ele é baseado no novo Tipo europeu, porém um pouco menor, com distância entre-eixos em torno de 2,50m. O visual é moderno, de apelo esportivo, e o espaço interno deve ser um de seus pontos fortes.

Fiat Tipo europeu(foto: Fiat/Divulgação)
Fiat Tipo europeu (foto: Fiat/Divulgação)

Comparado com o Tipo europeu, o Argo traz algumas modificações no visual. Na frente, o capô é mais liso, com vincos apenas nas laterais. Os faróis de neblina são posicionados nas extremidades da entrada de ar central do para-choque. Atrás, a tampa do porta-malas é mais plana e tem desenho diferente, assim como as lanternas, que são mais estreitas.

A versão de entrada do Argo será a 1.0 Drive, equipada com motor três-cilindros FireFly de 72cv (gasolina)/77cv (etanol) de potência e câmbio manual de cinco velocidades. O hatch terá ainda as versões 1.3 Drive (101cv/109cv), com câmbio manual de cinco marchas ou automatizado GSR de cinco velocidades, 1.8 Essence e 1.8 Sporting, que além da transmissão manual terá a opção do câmbio automático de seis marchas.

RANKING
O Argo é a primeira cartada da Fiat para tentar recuperar a liderança no mercado de automóveis, perdida para a General Motors. No ano passado, entre os modelos mais emplacados o primeiro lugar ficou com o Chevrolet Onix, com mais de 153 mil unidades, seguido por Hyundai HB20 (121 mil) e Ford Ka (76 mil). O Palio apareceu somente na sexta posição, com 63.996 unidades emplacadas. Somando automóveis e comerciais leves, a GM ficou em primeiro lugar, com 18,7%, enquanto a Fiat garantiu a segunda posição, com 14,7%. Graças às boas vendas das picapes Strada e Toro.

Se já não vai ser fácil substituir as versões topo de linha do Palio, o mesmo pode ser dito em relação ao Punto, que no ranking geral do emplacamento de 2016 cravou na 44ª posição, com 7.709 unidades. No segmento dos hatches premium, encerrou o ano com participação não muito boa, ficando atrás de concorrentes como Ford Fiesta, Citroën C3 e Peugeot 208.

Nos três primeiros meses deste ano, a GM permanece à frente, com 16,8% dos veículos emplacados (automóveis e comerciais leves), seguida pela Fiat, que tem 12,9% de participação. No ranking geral, o Onix continua em primeiro lugar e o Palio foi parar na 14ª posição. Entre os hatches premium, o Punto, com 848 unidades emplacadas nos três meses, continuou atrás da concorrência, mas já havia saído de linha.

Mas a Fiat está apostando suas fichas no que ela está chamando de “o mais completo hatch premium do mercado, que consolida o novo momento da marca no Brasil”. O modelo terá preços entre R$ 45 mil e R$ 60 mil e será produzido na fábrica de Betim. Da mesma plataforma será derivado um sedã, por enquanto denominado X6S, produzido na Argentina, que entrará no lugar do Siena e Linea.

Fiat Tipo(foto: Fiat/Divulgação)
Fiat Tipo (foto: Fiat/Divulgação)

HISTÓRICO DOS HATCHES A Fiat tem uma longa história com o segmento de hatches no Brasil, com bons e maus momentos. Depois de iniciar sua trajetória com o arcaico 147 e depois o Uno, a montadora de Betim deu um grande passo ao lançar em 1996 o Palio, um hatch feito para países emergentes. O modelo foi um sucesso de vendas e anos depois superou o campeão VW Gol, até então imbatível. Mas, apesar das reestilizações e avanços da segunda geração, o Palio se tornou um projeto ultrapassado, carente de evoluções.

Fiat Brava(foto: Fiat/Divulgação)
Fiat Brava (foto: Fiat/Divulgação)

A Fiat teve outros hatches que cativaram o consumidor brasileiro, mas todos com histórias curtas, diferentemente dos principais concorrentes. O Tipo, por exemplo, chegou ao Brasil em 1993 importado da Itália. Apesar do motor 1.6 fraco e porta-malas pequeno, o modelo agradava por suas formas retilíneas, e não demorou a se transformar em um sucesso de vendas. Em 1995, vendeu mais do que o Gol em um mês. Em 1996, o Tipo passou a ser produzido em Betim e ganhou motor mais potente, com injeção multiponto. Mas no mesmo ano ocorreram vários incêndios com o modelo, causados por um vazamento na mangueira do sistema hidráulico da direção. A Fiat chegou a convocar um recall, mas a imagem do Tipo já estava comprometida. E até 1997, quando o modelo saiu de linha, foram produzidas 12.570 unidades.

Fiat Punto T-Jet(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 2/10/12)
Fiat Punto T-Jet (foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 2/10/12)

O Tipo foi substituído pelo Brava, produzido no Brasil de 1999 a 2002. Foram 43 mil unidades produzidas e o modelo também fez relativo sucesso pelo visual esportivo, mas o motor 1.6 16V não proporcionava bom desempenho e nem era econômico, fatores que determinaram o fim do Brava por aqui. Ele deu lugar ao Stilo, que com suas linhas retas e conteúdo diferenciado, chamou logo a atenção. Tinha direção com assistência elétrica, ar-condicionado de duas zonas e o teto solar Sky Window. Mas o motor era o 1.8 de 8V e 16V, o mesmo do Chevrolet Meriva, de desempenho fraco e beberrão. Para complicar a situação, algumas unidades do Tipo soltaram o cubo da roda, chegando a causar acidentes fatais, gerando um recall e uma ação milionária na Justiça. O Stilo foi produzido no Brasil de 2002 a 2010, ano em que foi substituído pelo Bravo, outro hatch médio imponente, mas com desempenho fraco e espaço interno limitado. Acabou saindo de linha também.

Fiat Bravo(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 14/9/12)
Fiat Bravo (foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 14/9/12)

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