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Estado de Minas

Realidade x ilusão

Por revelar o espaço aproveitável, sistema VDA é o mais indicado para avaliar a capacidade do porta-malas, pois o método que utiliza água é publicidade enganosa


postado em 03/03/2012 09:29 / atualizado em 03/03/2012 09:34

Recentemente a Peugeot afirmou, durante o lançamento do seu hatch médio 308, que o porta-malas do modelo era o maior da categoria, com 430 litros. Pura balela, já que o fabricante usou o método de medição mais favorável a ele, no qual o volume é calculado a partir da quantidade de água que o espaço consegue comportar. O erro desse método está no fato que a água toma cada cantinho do compartimento, principalmente aqueles locais em que não se consegue colocar nada.

É por isso que o método apropriado de medir o compartimento para bagagens de um automóvel é o VDA (sigla para Verband der Automobilindustrie, instituição alemã que visa padronizar medidas), em que cubos sólidos de isopor são usados para calcular o espaço real, explica Ricardo Takeo, da Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil). Assim o valor fornecido corresponde ao espaço realmente aproveitável do porta-malas, desprezando áreas inúteis como reentrâncias ou mesmo destinadas à movimentação, como molas e dobradiças.

E a diferença entre esses dois métodos não é insignificante. No caso do 308, o porta-malas medido pelo sistema VDA tem 348 litros de volume, valor fornecido pela própria Peugeot. A diferença é de 82 litros. Outros modelos também já apresentaram volumes de porta-malas bem menores que os divulgados. É o caso do Citroën C4 Pallas, em que o volume inicialmente seria de 580 litros, valor que depois foi retificado para corretos 513 pelo método VDA.

Medição mais próxima da realidade é por meio de cubos no método VDA(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D. A Press)
Medição mais próxima da realidade é por meio de cubos no método VDA (foto: Marlos Ney Vidal/EM/D. A Press)

Exageros

Nas medições de porta-malas feitas pelo caderno Vrum utilizando o método VDA já foram encontrados muitos volumes menores do que os divulgados pelos fabricantes, como o Audi A1 (uma diferença de 88 litros), Fiat Bravo (40 litros), Palio (40 litros), Idea (40 litros), Novo Uno (40 litros), Siena (50 litros), JAC J3 (92 litros), J3 Turin (120 litros), Renault Fluence (50 litros), VW Voyage (40 litros), entre outros.

Modéstia

Porém, alguns fabricantes apresentam medições erradas para menos. A Nissan declara 371 litros de capacidade para o Sentra e o encontrado foi de 470 litros (99 litros a mais). O Renault Symbol com 506 declarados contra 526 aferidos (20 litros). A Kia declara 415 litros para o Cerato e aferimos 495 litros (80 litros).

Até o teto

Outro erro grosseiro cometido em hatches e sobretudo em utilitários-esportivos é medir o volume do compartimento de carga até o teto. O bom senso e as noções de segurança reservam todo espaço acima do encosto do banco traseiro para a visibilidade do motorista. Além disso, a carga pode cair nos ocupantes provocando ferimentos graves se não houver grade protetora, que só é encontrada em poucos e sofisticados modelos. Nesse quesito se destacam o Chevrolet Captiva, que declara 821 litros e na verdade tem apenas 361 (440 litros), e o Ford Edge com 908 declarados contra 500 aferidos (uma diferença de 408 litros). De acordo com Ricardo Takeo, a norma VDA estabelece que se a medição foi feita para cima do bagagito ou do encosto do banco traseiro a distorção deve ser informada junto ao valor).

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