Palio Electro - Com as próprias mãos Cansado de esperar pela produção de um carro elétrico pela Fiat, engenheiro civil adapta motor em Palio Fire, cuja autonomia fica restrita a 20 quilômetros

Bruno Freitas - Estado de Minas

Publicação: 23/10/2010 22:20 Atualização:

 (Fotos: Mauricio dos Santos Anjo/Arquivo Pessoal)
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Quando soube que a Fiat desenvolvia o projeto de um Palio Weekend elétrico, Maurício dos Santos Anjo enviou um e-mail ao fabricante, questionando quando o modelo seria lançado. O interesse do engenheiro civil era utilizar o carro nos deslocamentos entre casa e trabalho. A resposta dada pela marca foi “em breve”. Dois anos se passaram sem que a tecnologia fosse de fato empregada no modelo à venda nas concessionárias. Então Anjo decidiu construir seu próprio Palio movido a eletricidade.

“Passei nove meses estudando e negociando peças do projeto. Para construir o primeiro protótipo, demorei outros três meses. Ficou pronto em novembro de 2009”, revela o engenheiro, que gerencia uma empresa de informática de Uberaba (no Triângulo Mineiro).

Veja a galeria de fotos do Fiat Palio Electro!

Na aparência, o Palio Fire duas portas de Anjo é exatamente como um Palio movido a gasolina ou etanol. Debaixo do capô está a maior mudança: no lugar do motor 1.0 Fire flexível, a propulsão é gerada por um motor Siemens elétrico, de 30cv, capaz de levar o modelo a uma velocidade máxima de 93km/h. “Para alojar o motor elétrico, tive que reduzir a área de ventilação e cortar o eixo do antigo motor. Se alguém optar por alterar o câmbio manual de cinco marchas, que foi mantido, a máxima deve chegar aos 115km/h”, explica Anjo, que garante converter qualquer Palio, Palio Weekend, Siena ou Strada para Electro em até dois meses, a um custo que varia de R$ 29 mil a R$ 59 mil, dependendo do tipo de bateria.

CHUMBO ATRÁS No porta-malas do Palio Fire, Anjo adaptou 25 baterias de chumbo, o que quase eliminou o espaço para bagagem. Para os projetos de outros Palios, Anjo oferece como alternativa baterias de lítio, instaladas no lugar do tanque de combustível e em parte do porta-malas. A autonomia do primeiro protótipo ficou restrita a 20 quilômetros, com tempo de recarga de duas horas. “Considere que a cada 10 quilômetros rodados se leva uma hora para carregar as baterias de chumbo, enquanto as baterias de lítio demoram 20 minutos”. O abastecimento é feito por meio de uma conexão entre o bocal do tanque de combustível e tomadas de 110 ou 220 volts.

Emílio Camanzi dirigiu o Palio Weekend elétrico na usina de Itaípu. Veja:



Para fazer a adaptação, Anjo explica que contou com a ajuda de sete empresas de Uberaba. Cada uma cuida de uma parte do Palio Electro – torneagem mecânica, conexão do motor com o câmbio, desmontagem, montagem, parte elétrica, adesivos externos e internos e programação do motor.

Embora o projeto certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) seja novo, o engenheiro civil tem grandes ambições. Anjo pretende viabilizar a construção de uma fábrica para adaptar carros elétricos em série, com a ajuda de investidores, que ainda não conseguiu encontrar. “Estou negociando a transformação de 170 carros de vários estados brasileiros, mas hoje só consigo converter 20 unidades por mês”, finaliza.

As 25 baterias de chumbo praticamente roubaram todo o espaço no porta-malas do Palio
As 25 baterias de chumbo praticamente roubaram todo o espaço no porta-malas do Palio

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